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Onda de calor na Europa cria nova classe de refugiados: os ricos

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02.07.2026

Onda de calor na Europa cria nova classe de refugiados: os ricos

Passei os últimos dias no maior calor que senti na vida. Não foi no Sertão Sergipano, onde estive em fevereiro de 2025. Muito menos no Deserto do Saara, que visitei doze anos atrás. Foi em Paris.

A Europa inteira, e a França em especial, vem vivendo as semanas mais quentes de sua história. O problema é que a cidade, e o norte europeu como um todo, nunca se prepararam para isso. As casas foram feitas para reter o calor no inverno rigoroso, não para refrescar no verão, que geralmente era mais ameno.

Ainda por cima, em muitos países europeus é proibido instalar ar-condicionado. Ora porque a lei não deixa mexer na fachada de prédios históricos, ora porque as fiações elétricas são antigas, ora por questões de sustentabilidade, ora porque o aparelho nunca entrou na cultura popular. Há até quem jure destes lados de cá do Atlântico que o ar-condicionado adoece.

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Escrevo este texto, aliás, do único lugar de Paris com um ar-condicionado decente: o aeroporto de Orly. Pois os museus que tentei visitar estavam parcialmente interditados. No Louvre, salas inteiras amanheceram fechadas nas últimas semanas, entre elas os apartamentos de Napoleão III, cobertos de ouro e veludo, que o calor obrigou a lacrar para proteger o acervo.

E foi suando numa fila do Louvre que me veio a pergunta que não saiu mais da cabeça: durante toda a história, "refugiado climático" foi quase sempre a pessoa do terceiro mundo, e do hemisfério sul, fugindo da seca, da enchente, da terra que secou. Será que agora veremos o contrário? Gente de país rico indo embora atrás de lugares mais pobres,........

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