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Suspensão de zagueiro misógino expõe teatro da justiça desportiva

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05.03.2026

Suspensão de zagueiro misógino expõe teatro da justiça desportiva

Gustavo Marques, do Bragantino, tomou um gancho de 12 jogos e multa de R$ 30 mil por falar que era um absurdo a Federação Paulista de Futebol colocar uma mulher para apitar a partida entre seu time e o São Paulo. A suspensão, notem, vale apenas para competições estaduais, portanto não será cumprida neste ano e talvez nunca, se ele sair do clube.

Abel Braga foi punido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) com 5 partidas e R$ 20 mil de multa por dizer em uma coletiva: "Eu não quero a porra do meu time treinando com uma camisa rosa, porque parece um time de veado".

Depois de um acordo com o STJD, o Palmeiras pagou apenas R$ 80 mil pela postagem homofóbica de Vitor Roque, tirando onda do São Paulo com a imagem de um tigre mordendo um veado. Nada de suspensão.

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Ramón Díaz proferiu pelo menos dois absurdos misóginos ("futebol é para homens" e "VAR não pode ser decidido por uma mulher") e saiu impune. Se disse mal interpretado, pediu desculpas aos ofendidos e seguiu sua vidinha machista.

Bernabei, do Inter (envolvido em pelo menos três destes casos recentes), assediou uma repórter na beira do campo. Que passou com o argentino? Nadica.

O Vasco-AC, do goleiro Bruno, homenageou atletas presos por suspeita de estupro, na estreia pela Copa do Brasil. O que aconteceu? Necas.

O fato é que não há critério algum. O que há é teatro. Putz, pegou mal. Alguém faça alguma coisa para que deixem de nos encher o saco. Uma doação aqui, uma suspensão ali, um "post educativo" acolá. Educação de verdade mesmo: não há.

Alguns clubes começaram a fazer isso na base, tentando cuidar da nova geração, mas isso ainda é exceção. A regra, como vemos toda semana, é odiar mulheres. Até porque o preço a se pagar é bem baixinho.

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