O cessar-fogo não travou a guerra digital
A própria evolução dos acontecimentos mostra que este cessar-fogo está longe de representar um abrandamento consistente das tensões em conflito. O alcance do acordo foi desde o início contestado, em especial quanto ao Líbano, e os bombardeamentos israelitas sobre Beirute, o Vale do Bekaa e o Sul deste país, imediatamente a seguir à sua proclamação tendem a confirmar que esta trégua pode ser parcial e precária.
Este cessar-fogo deixa em aberto um conjunto de questões importantes. A Associated Press sublinhou que, apesar das tréguas, persistem profundas incertezas quanto ao futuro político e estratégico do Irão, ao destino do urânio altamente enriquecido e ao controlo do Estreito de Ormuz. Segundo a esta agência noticiosa, Donald Trump sugeriu que os ataques dos Estados Unidos e de Israel abriram caminho para uma mudança de regime em Teerão. No entanto, a ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irão, morto no início da guerra, não dissipou a instabilidade.
Esta trégua pode ter travado, temporariamente, a escalada militar direta. Contudo, não travou a guerra que se move nas redes, nos sistemas de vigilância, nos drones, nas imagens de satélite, nos centros de dados, nas plataformas digitais e nas operações cibernéticas. Segundo as notícias mais relevantes, em especial da Associated Press e da Reuters, a inteligência artificial tem sido utilizada nesta guerra em várias frentes: na análise de informação militar, no apoio à identificação de alvos, em operações de influência e propaganda, na vigilância com recurso a imagens de satélite e fontes abertas, no apoio a ciberoperações e na integração crescente em drones e outros sistemas automatizados de combate.
Também a frente dos ciberataques permanece aberta. A Associated Press noticiou que hackers alinhados com Teerão consideram que o cessar-fogo entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, por ser incerto, não põe necessariamente fim aos ciberataques retaliatórios. Especialistas norte-americanos em cibersegurança advertiram, por isso, que potenciais alvos nos Estados Unidos e em Israel devem levar a ameaça a sério.
Na verdade, esta ligação entre tecnologia avançada e defesa está longe de ser nova. A própria internet nasceu de um projeto com origem militar, pensado em plena guerra fria para garantir comunicações mais resilientes em caso de ataque. Também a inteligência artificial mantém há décadas uma relação........
