Quem quererá fazer política daqui a vinte anos?
Há uma pergunta que raramente fazemos quando discutimos a democracia portuguesa. Não é "porque é que os cidadãos confiam menos nos políticos". Nem "porque é que cresce a abstenção ou o desencanto". A pergunta verdadeiramente importante é outra: quem quererá dedicar uma parte da sua vida à política daqui a vinte anos?
Vivemos um tempo paradoxal.
Nunca exigimos tanto aos responsáveis políticos. Queremos que resolvam problemas complexos, antecipem crises, reformem serviços públicos, prestem contas permanentes e tomem decisões difíceis.
Mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão fácil reduzir a política à espuma dos dias: ao comentário imediato, às leituras superficiais dos títulos, ao ruído que importa mais alimentar do que compreender e à suspeita permanente.
Esta cultura tem consequências.
Quando a vida pública deixa de ser vista como uma forma exigente de serviço e passa a ser encarada apenas como um espaço de conflito, competição pelo poder ou desgaste pessoal, o país não afasta apenas quem procura........
