Já não basta descer a bainha ao SNS
Nos últimos dias, a saúde voltou ao centro do debate político. E, como tantas vezes acontece, discutem-se números, balanços, responsabilidades passadas e resultados imediatos.
Tudo isso importa. Mas talvez continue a faltar o essencial: discutir, com serenidade e ambição reformista, que Serviço Nacional de Saúde (SNS) queremos para a próxima década. E sim, até poderíamos chamar-lhe “Pacto Estratégico para a Saúde em Portugal”.
Durante demasiado tempo, o debate sobre a saúde em Portugal ficou prisioneiro de uma falsa escolha: ou se defende o SNS tal como está, ou se pretende acabar com ele.
A verdade é precisamente a oposta.
O SNS só se protege verdadeiramente quando existe coragem política para o reformar e adaptar os seus valores aos novos tempos.
Defender o Serviço Nacional de Saúde não pode significar cristalizá-lo numa organização pensada para desafios de outra época, para uma realidade demográfica diferente e para um contexto assistencial que já não existe.
Hoje enfrentamos um país mais envelhecido, com maior prevalência de doença crónica, exigências acrescidas de proximidade, novas expectativas dos........
