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A TAP e o custo de decidir demasiado devagar

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A TAP transportou 8,2 milhões de passageiros no primeiro semestre de 2026, mais 4,2% do que no período homólogo, e alcançou receitas operacionais recorde de 2.039,8 milhões de euros. Ainda assim, fechou o semestre com um prejuízo de 99,2 milhões, cerca de 40% acima do registado um ano antes. Nesta contradição existe uma lição de gestão que interessa muito para além da aviação: crescer não é necessariamente criar valor. Um avião cheio impressiona quem olha para a placa do aeroporto; não nos diz, por si só, se aquele voo está a criar valor.

Em 2025, o lucro líquido da TAP já tinha recuado de 53,7 milhões para 4,1 milhões de euros, embora significativamente afetado por um ajustamento fiscal extraordinário. Este ano, a subida dos custos com combustível voltou a pressionar as contas. Um semestre, sobretudo num negócio sazonal, não permite diagnosticar a qualidade estrutural de uma empresa. Mas conduz-nos à pergunta que verdadeiramente importa: o que consegue uma organização fazer quando aquilo que não controla muda contra ela?

UMA COMPANHIA AÉREA NÃO É APENAS UM NEGÓCIO DE AVIÕES

Uma companhia aérea parece, à primeira vista, um negócio de ativos: aviões, motores, slots, terminais e tripulações. Mas um avião não cria valor apenas porque existe, nem sequer porque voa cheio. Pode estar na rota errada, operar com preços inadequados ou consumir capital que teria melhor retorno noutro mercado. O valor está nas decisões que determinam onde voa, quando, a que preço e integrado em que rede. Hoje, uma empresa não vale apenas pelos recursos que controla; vale também pela velocidade com que consegue mudar o destino desses recursos.

A MÉTRICA INVISÍVEL DA GESTÃO

Há uma métrica que não aparece nos relatórios financeiros, mas que deveria preocupar qualquer conselho de administração: o tempo que decorre entre perceber que alguma coisa mudou e conseguir responder-lhe. A esse intervalo chamaria latência de........

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