A Guerra deixou de ter fronteiras. A Defesa Civil deixou de ser opção
Durante décadas, a maior parte da Europa tratou a Defesa Civil como um conceito arrumado na gaveta da Guerra Fria, bom para os museus e mau para os orçamentos. Os abrigos antiaéreos viraram parques de estacionamento, os planos de contingência ficaram arquivados em dossiers que ninguém relia e a ideia de que um cidadão comum pudesse ter um papel ativo na segurança nacional soava a anacronismo, uma paranoia. Pois bem, muitos ainda não acreditam, mas essa complacência acabou. Não por escolha, mas por necessidade.
O recente relatório do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Civil Defence in Europe: An Initial Assessment, traz uma constatação simples mas incómoda: a resiliência europeia continua a ser um puzzle desconexo. Alguns países já construíram modelos sólidos de "sociedade total" na Defesa. Outros, Portugal incluído, continuam presos a pressupostos que a realidade já ultrapassou. O ambiente de segurança mudou mais depressa do que os nossos tradicionais modelos de preparação. Traduzido em linguagem simples: estamos a planear para um mundo que já não existe!
O conflito moderno deixou de respeitar as fronteiras tradicionais entre guerra e paz, entre domínio civil e militar, entre responsabilidade pública e privada. Infraestruturas críticas, redes digitais, sistemas energéticos, logística, saúde, telecomunicações, administração pública e cadeias de abastecimento, tudo isto se tornou um alvo potencial. As ameaças híbridas raramente chegam isoladas. Ciberataques, sabotagem, desinformação, coerção económica, disrupção de cadeias de abastecimento e pressão militar convencional sobrepõem-se e reforçam-se mutuamente. Não é uma ameaça de cada vez, é um enxame coordenado, ou pelo menos simultâneo.
Aqui está o desafio fundamental para a Europa: a maior parte das infraestruturas críticas é propriedade privada, enquanto as responsabilidades de preparação estão divididas por ministérios, reguladores,........
