Quatro anos de poder, quarenta de consequências
No próximo domingo, 4 de outubro, o Brasil escolherá presidente, governadores, senadores e deputados. Conhecemos a data, os cargos, os candidatos. Falta uma resposta: que Brasil cada um propõe para daqui a vinte anos? É uma pergunta simples. Talvez por isso seja tão difícil ouvi-la em campanha.
Entre tantos documentos, reportagens e análises que recebo diariamente, uma proposta encaminhada pelo “Escrever o Futuro” me fez parar. Conheço a organização há muitos anos. Conheci também Shapoor Monadjem, que ajudou a colocá-la de pé e morreu há poucos anos. Era dono de uma inteligência rara, de convicções humanistas firmes e de uma percepção do mundo que jamais se acomodava às fronteiras do presente. Os escritos de Shoghi Effendi (1897-1957) marcaram profundamente sua formação intelectual. Ao ler o documento, pensei nele. A responsabilidade por quem virá depois de nós estava entre suas preocupações.
A proposta é que os candidatos assumam o compromisso de convocar um Conselho para o Futuro. Cidadãos escolhidos segundo critérios públicos teriam um ano para formular uma visão de longo prazo e indicar reformas institucionais capazes de sustentá-la. A ideia merece debate. Estamos a dias da votação e ainda discutimos muito mais quem ocupará o poder do que o país que deverá existir quando esse ocupante sair.
Shapoor Monadjem – Foto: Arquivo Pessoal/Neissan Monadjem
Cem pessoas, milhões de vidas
O desenho prevê uma lista inicial de mil convidados. Após a aplicação de critérios públicos e uma consulta nacional, seriam escolhidos cem integrantes com experiências diversas. Campanhas pessoais para entrar no Conselho ficariam proibidas. Seus membros........
