O fim da "guerra justa"?
De entre as diversificadas temáticas abordadas na encíclica “Magnifica Humanitas” e das afirmações dela constantes, muitos destacaram, como algo de profundamente inovador, o que nela se afirma a respeito da clássica doutrina da “guerra justa” como uma doutrina definitivamente superada.
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Houve quem não deixasse de criticar essa afirmação, seja porque representa uma rutura com uma doutrina da Igreja consolidada desde há séculos, seja porque seria expressão de um pacifismo absoluto que nega a legitimidade de ações defensivas como as dos aliados contra os propósitos criminosos do regime nacional-socialista, ou as dos ucranianos contra a atual agressão do governo russo. Um pacifismo absoluto que colocaria em causa a licitude moral da própria missão de um qualquer militar.
Convém, antes de mais, conhecer a afirmação em causa no seu todo. Afirma Leão XIV no número 192 desse encíclica: "Hoje, mais do que nunca, é importante reafirmar que foi superada a teoria da 'guerra justa', invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, mantendo-se o direito à legítima defesa entendida no sentido mais estrito".
Verdadeiramente, não se trata de uma afirmação inédita de um Papa. Trata-se da reafirmação fiel do que já consta da encíclica Fratelli tutti do Papa Francisco (n. 258). Mais amplamente, podemos dizer que desde o Concílio Vaticano II e da encíclica de São João XXIII Pacem im terris o magistério pontifício vem evoluindo,........
