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A Arrogância Invisível dos Pequenos Gestos

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08.10.2026

Recentemente, quando regressava de Paris, depois de dias intensos a caminhar pela cidade, a dormir pouco e a tentar aproveitar cada momento da viagem, aconteceu uma coisa absolutamente banal. Daquelas coisas que, normalmente, desapareceriam da nossa memória poucos minutos depois. O voo correu normalmente, nada de extraordinário. Mas foi já no final do percurso, depois de aterrar em Lisboa, que aconteceu algo aparentemente insignificante e que, ainda assim, me deixou a pensar.

Depois de sair do avião, fomos transportados de autocarro até ao terminal. No momento de sair, com a mochila às costas, toquei sem querer no ombro de uma senhora que estava ao meu lado. Foi um toque leve, claramente acidental, daqueles que acontecem todos os dias em qualquer aeroporto do mundo, onde centenas de pessoas circulam com malas, mochilas, pressa e algum cansaço. De imediato, pedi desculpa.

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A senhora olhou para mim com um ar de profunda reprovação e abanou a cabeça. Pensei que não tivesse ouvido e voltei a pedir desculpa, explicando que tinha sido sem querer. Mas a reação manteve-se: um olhar duro, um gesto de desaprovação, uma irritação que parecia desproporcional ao que tinha acontecido. Seguiu caminho como se tivesse sido alvo de uma grande ofensa.

Confesso que fiquei surpreendido. Não pelo incidente, porque, na realidade, não tinha acontecido nada de grave.........

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