Porque precisamos de uma nova geração em saúde pública
A saúde pública vive um paradoxo. Nunca foi tão importante para as nossas vidas e, simultaneamente, tão invisível. Quando funciona, quase não damos por ela. Está na água que bebemos, nos alimentos que consumimos, na vacinação que previne doenças, na vigilância de epidemias, na qualidade do ar, na segurança dos medicamentos, nas cidades que promovem estilos de vida saudáveis ou nas políticas que reduzem desigualdades. Só quando falha percebemos verdadeiramente o seu valor.
A pandemia de COVID-19 tornou evidente que a saúde das populações não depende apenas dos hospitais nem da excelência dos cuidados clínicos. Depende da capacidade de prevenir doenças, antecipar riscos, proteger comunidades e criar condições para que as pessoas possam viver vidas mais saudáveis. Essa é, precisamente, a missão da saúde pública.
Mas os desafios que enfrentamos hoje são múltiplos: vivemos mais anos, mas também convivemos com mais doença crónica. As alterações climáticas acumulam riscos para a saúde, da exposição ao calor a novas doenças transmitidas por vetores. A poluição continua a afetar milhões de pessoas. A desinformação compromete programas preventivos. Persistem desigualdades sociais que determinam quem vive mais, quem adoece mais cedo e quem tem menor........
