O aviltamento da última crença do regime
Em que acredita a classe política em Portugal? Nos últimos anos do Estado Novo, dizia acreditar no “ultramar”, na tese de que o destino de Portugal estava em ser uma grande nação euro-africana. Só assim Angola e Moçambique poderiam desenvolver-se. Mas sobretudo, só assim Portugal podia ser Portugal. Eis como se justificou a mobilização de 10% da população para uma guerra em três frentes.
A verdade é que mesmo antes de 1974 já uma parte da elite da ditadura acreditava pouco no ultramar, embora não o confessasse em público. Outra fé alastrava então, acesa com a adesão à EFTA em 1960, fortalecida pelo acordo com a CEE em 1972: a Europa. Em 1975, o MFA ainda tentou prolongar o culto ultramarino em versão pós-colonial: o lugar de Portugal era no Terceiro Mundo, em solidariedade revolucionária com os novos países africanos. Mas o país já pertencia demasiado à Europa ocidental, através do comércio........
