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A geração mais qualificada de sempre

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30.08.2026

Dizem-lhe que faz da geração mais qualificada de sempre. E ele acredita. Tem uma licenciatura, uma pós-graduação, três certificados de cursos online, inglês suficientemente bom para escrever proficient no LinkedIn e um conjunto apreciável de competências transversais cuja utilidade concreta não ainda teve oportunidade de testar.

Tem vinte e poucos anos e anda à procura emprego. Ou, como se diz agora, à procura de “uma oportunidade”. A verdade é que emprego parece uma palavra demasiado definitiva para um mercado de trabalho onde quase tudo começa por seis meses, pode ter a sorte de conhecer outros seis e, se tudo correr particularmente bem, termina com um agradecimento pelo contributo e votos sinceros de sucesso nos “novos desafios”. Sim, oportunidade é muito mais adequado. É suficientemente vaga para poder significar um salário, um estágio, uma bolsa, uma colaboração a recibos verdes ou, nos casos mais arrojados, a bendita “experiência”. Experiência, aliás, é aquilo que mais lhe pedem. O problema é que ainda não encontrou alguém que lhe explicasse como se consegue tal experiência, antes de haver experiência alguma. E ele bem que procura…

Abre o LinkedIn todas as manhãs com a disciplina de quem espera que, durante a noite, o mercado de trabalho tenha finalmente percebido o seu potencial. Há vagas. Às carradas. Algumas procuram “jovens talentos”. Outras “perfis dinâmicos”. Quase todas querem alguém “proativo, resiliente, orientado para resultados e com capacidade para trabalhar sob pressão”. Ele é tudo isso. Ou, pelo menos, julga que conseguiria ser se alguém lhe dissesse concretamente o que era para fazer. O problema vem a seguir: “Experiência mínima de três anos.” Volta atrás. Confirma o título. Analista Junior. Três anos. Continua: “Domínio avançado de Excel.” Fecha.

Bom, não vale a pena começar o dia com negatividade. É verdade que passou quase vinte anos no sistema de ensino. Aprendeu coisas, teorias, modelos, conceitos, metodologias e até fez um trabalho particularmente interessante sobre inovação e empreendedorismo numa cadeira do segundo semestre. Fez apresentações em PowerPoint. Trabalhos de grupo. Uma análise SWOT. Duas, talvez. Participou num business game. Sabe o que é um stakeholder. Consegue dizer benchmarking sem hesitar. Mas, colocado perante uma folha de Excel com uma fórmula que não funciona, o seu primeiro impulso continua a ser pedir ao Gemini para o ajudar.  Ainda assim, não se pode dizer que não tenha........

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