Porque é que as empresas precisam de pessoas mais cultas?
Vivemos numa época paradoxal. Nunca tivemos gerações tão qualificadas, tão expostas ao mundo e tão próximas da informação. Viajam mais, falam mais idiomas, contactam diariamente com realidades culturais distintas e têm acesso imediato a um volume de conhecimento que seria impensável há apenas algumas décadas.
Apesar disso, tenho a sensação de que continuamos a confundir informação com cultura. A diferença é mais profunda do que parece. A informação permite-nos saber; a cultura ajuda-nos a compreender. A informação responde a perguntas; a cultura ajuda-nos a formular as perguntas certas. A informação pode ser adquirida em segundos; a cultura exige tempo, contexto, reflexão e experiência. Durante anos, concentrámos grande parte dos nossos esforços na qualificação. Fizemo-lo porque era necessário. Portugal precisava de mais formação, mais competências técnicas, mais especialização e maior capacidade para competir numa economia cada vez mais exigente. Foi um caminho acertado e cujos resultados são hoje evidentes. Mas talvez estejamos agora a descobrir que uma sociedade pode tornar-se mais qualificada sem se tornar necessariamente mais culta.
A especialização trouxe conhecimento. Nem sempre........
