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Por uma economia política dos territórios locais e regionais

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20.01.2026

Fala-se muito de desenvolvimento territorial e quase sempre com a mesma gramática: investimento, infraestruturas, serviços, qualificações, inovação. São palavras certas. Mas há uma pergunta anterior que raramente é tratada com a mesma frontalidade: porque é que políticas que parecem tecnicamente sólidas produzem, tantas vezes, resultados modestos, desiguais ou difíceis de sustentar no tempo?

A resposta não está apenas na falta de recursos ou na qualidade do desenho formal dos programas. Está, sobretudo, na forma como as decisões são tomadas e executadas em ambientes reais, com interesses, regras, constrangimentos e capacidades muito diferentes. É aqui que entra a necessidade de uma economia política para os territórios locais e regionais.

Quando falo em “economia política”, refiro-me a uma lente que coloca no centro a interação entre poder, incentivos e instituições: quem decide, com que objetivos, com que regras, e com que consequências para diferentes grupos. Aplicada aos territórios, esta lente obriga-nos a ver o desenvolvimento não como um exercício de engenharia neutra, mas como um processo de escolha sob escassez, com trade-offs, conflitos de interesse e riscos de captura. Esta abordagem não é uma utopia. É realismo institucional, e é condição para fazer melhor.

Um ponto de partida é reconhecer que políticas territoriais eficazes têm de ser “place-based”: desenhadas e adaptadas ao contexto. “Place-based” significa, em termos simples, que o território não é apenas o local onde a política acontece; é parte do problema e da solução, com características específicas de tecido económico, demografia, acesso a serviços, redes institucionais e recursos organizacionais. Quando se ignora esta heterogeneidade, cai-se frequentemente num padrão recorrente: políticas uniformes que tratam desigualdades........

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