O problema não é o chico-esperto. É quando todos querem ser
Se já alguma vez chamou “chico-esperto” a alguém, talvez tenha feito mais pela sociedade do que imagina.
Porquê? Porque a expressão “chico-esperto” não descreve apenas um comportamento. Funciona também como um poderoso mecanismo de sanção social. E isso pode explicar muito sobre a forma como as sociedades conseguem – ou deixam de conseguir – cooperar.
Há poucas expressões tão portuguesas como “chico-esperto”.
A origem exata da expressão perdeu-se na história. Sabe-se apenas que “Chico”, diminutivo de Francisco, passou a representar um indivíduo qualquer, enquanto “esperto” é utilizado com evidente ironia. Mas o chico-esperto não é inteligente. É alguém que procura obter vantagens pessoais contornando regras, explorando lacunas do sistema ou fazendo recair sobre os outros os custos das suas escolhas.
Fura a fila. Estaciona onde não deve. Pede um favor para evitar um procedimento. Declara menos do que ganha. Conhece “alguém” que resolve. E, no final, sente um certo orgulho por ter “dado a volta ao sistema”.
A questão interessante não é que este comportamento exista. Esse comportamento existe em todas as sociedades. A verdadeira questão é outra: porque é que as sociedades criam uma expressão específica para condenar este comportamento? A resposta, curiosamente, encontra-se menos na linguística do que na biologia evolutiva.
O eterno problema dos oportunistas
A cooperação constitui uma das maiores invenções da evolução humana. Nenhuma outra espécie consegue cooperar de forma tão extensa com indivíduos que não pertencem ao seu círculo familiar.
Pagamos impostos porque........
