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Da inveja

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24.05.2026

Há emoções que as pessoas confessam facilmente.

Medo. Ansiedade. Tristeza. Frustração.

E depois há a inveja.

Quase ninguém admite sentir inveja.

Mas basta observar a política, as redes sociais, as organizações ou mesmo muitas relações pessoais para perceber que ela está em todo o lado.

A inveja é provavelmente uma das emoções mais negadas da vida humana moderna – precisamente porque continua a ser uma das mais poderosas.

Durante muito tempo, a tradição moral e religiosa tratou a inveja como um vício moral menor, uma fraqueza de carácter ou um defeito espiritual. Mas talvez essa interpretação seja insuficiente.

Do ponto de vista evolucionista, a inveja não surgiu por acidente.

Nem é um simples “erro” psicológico.

A inveja é um mecanismo adaptativo de comparação social.

Durante quase toda a história humana, viver significava competir permanentemente por recursos escassos, como alimento, proteção, alianças, parceiros sexuais,

estatuto, reputação e acesso ao poder.

Num pequeno grupo ancestral, perceber rapidamente que alguém tinha mais recursos, maior prestígio ou mais influência podia ser literalmente uma questão de sobrevivência.

Quem ignorasse sistematicamente a própria posição relativa no grupo arriscava-se a perder acesso a cooperação, proteção ou oportunidades reprodutivas.

É por isso que os seres humanos não avaliam apenas aquilo que têm.

Avaliam sobretudo aquilo que têm relativamente aos outros.

E talvez seja aqui que começa uma das grandes ilusões modernas.

A modernidade prometeu abundância material. E, em muitos aspetos, cumpriu.

Nunca tivemos tanta tecnologia, tanto conforto, tanta segurança física ou tanto acesso à informação. Em termos históricos, a esmagadora maioria das pessoas vive hoje melhor........

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