WEIRDos
Começo, mais uma vez, com uma palavra em inglês, mas prometo terminar com um bom português. De acordo com o Merriam-Webster Dictionary, a palavra “Weirdo” começou a ser usada na década de 1950 como substantivo a partir do adjetivo “weird”, que significa “estranho” ou “fora do vulgar”. Weirdo seria, assim, uma pessoa que é estranha ou excêntrica, comportando-se de forma não habitual e podendo gerar algum desconforto em quem a rodeia. Pode ser usado com um sentido positivo em relação a alguém que se destaca pela diferença, mas, por regra, é um termo que revela desaprovação por se sair da norma.
Em português podíamos dizer, talvez, “esquisito” – o problema é que não funciona no domínio da Teoria Política. Por influência dos estudos realizados pelos psicólogos culturais Joe Henrich, Steve Heine e Ara Norenzayan, WEIRD é usado como acrónimo para Western, Educated, Industrialized, Rich e Democratic [pessoas com formação superior de países ocidentais, industrializados, ricos e democráticos] remetendo, assim, para remeter uma forma específica de pensar o mundo e que corresponde a um pequeno subconjunto da população.
O problema é que, de acordo com aqueles autores,
Os cientistas comportamentais publicam regularmente afirmações genéricas sobre psicologia e comportamento humanos com base em amostras provenientes exclusivamente de sociedades ocidentais, instruídas, industrializadas, ricas e democráticas (WEIRD). Os investigadores partem do princípio — muitas vezes de forma implícita — de que ou existe pouca variação entre as populações humanas ou que estes “sujeitos-padrão” são tão representativos da espécie como qualquer outra........
