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Vance pode ter razão

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26.06.2026

Adoro falar e ouvir falar de teologia. E, ainda que não me importe, não me interessa ter razão, estar certo ou concordar com aquilo que oiço. No fundo, agradam-me sobretudo as conversas sem ordem nem os formalismos do discurso técnico, algo que se faz só porque sim, porque apetece, porque não há alternativa. Sei bem o que isto é: quase um apego, um género de afeição, próximo da compensação que se procura depois da ressaca. Mas, como método, parece-me sempre mais fértil tentar compreender do que defender ou condenar. O debate só existe quando se entra com a predisposição de salvar a proposição do próximo.

J. D. Vance deu uma entrevista ao New York Times. Poucas pessoas, confesso, me têm dado tantas dores de cabeça. Embaraçosamente cordial, a conversa anunciava-se como uma análise à moralidade da administração americana, mas acabou por deter-se, ao início, no acordo com o Irão. A meio, a propósito do livro que acaba de publicar — onde narra o seu regresso à religião —, Vance diz três coisas que merecem ser destacadas.

A primeira é mais pessoal. Vance explica que, como vice-presidente, o seu papel consiste em duas coisas: dar ao Presidente o “melhor conselho” e a “melhor informação”; e apoiá-lo........

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