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Portugal à espera

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24.09.2026

Passam quase seis anos desde que publiquei o meu primeiro artigo neste jornal. Então, a 31 de Janeiro de 2021, na ressaca das eleições presidenciais, lamentava o estado da direita em Portugal, a “triste direita a que temos direito, a tal que a esquerda adora e que não nos serve de nada”, culpando, em larga medida, a presidência de Rui Rio, no PSD, e o manifesto das “linhas vermelhas” assinado, entre outros, por Adolfo Mesquita Nunes e Carlos Guimarães Pinto, a dupla que então representava o fulgor e a esperança da modernidade liberal da segunda década do Século XXI. Acabando ambos de formar, em parceria apesar de militarem em partidos distintos, o think tank Mais Liberdade, por aqueles dias em que escrevia, Mesquita Nunes atirava-se de cabeça a Rodrigues dos Santos para intentar roubar a liderança do CDS, que não conseguiu, e Guimarães Pinto corporizava o farol ideológico da IL, papel onde, a seu tempo, acabou substituído pelo agora-candidato-a-tudo, Cotrim de Figueiredo. No entanto, nos finais de 20 e inícios de 21, muita gente ainda imaginava que o futuro da direita passaria por aqueles dois.

Não passou, e estou convencido que o meu artigo de então, com antecedência, explicou bem porquê. Nele, argumentava duas ou três ideias, aparentemente polémicas ao seu tempo, mas manifestamente lógicas, simples e pertinentes vistas agora à luz do tempo. Desde logo, apontava como o célebre manifesto das linhas vermelhas publicado menos de 2 meses antes — de seu nome “A clareza que defendemos”, um título curioso na medida em que era tudo menos claro e não se percebia bem o que defendia — decretava, do alto de um pedestal de virtude, que conversas com “fenómenos iliberais” eram inadmissíveis em nome da “defesa da ordem liberal”. Considerando esse dedo indicador no ar, moralista, pejado de soberba, armados em pseudo-guardiães dos bons costumes democráticos — no fundo apenas revelando uma incoerente recusa do pluralismo, a verdadeira base da dita ordem liberal que pretendiam defender —, por todas essas razões apodei, então, o grupo de “Conselheiros Acácios” e o seu manifesto de “Manifesto Acácio”.

Tudo no Manifesto Acácio era despropositado. A altivez, a sobranceria, a arrogância, é certo, mas também a estratégia que, ao excluir Ventura, o colocava na posição privilegiada de ser o único que poderia, com verdade empírica do seu lado, a partir daí, verdadeiramente, reclamar o papel de real “oposição” ao sistema, um “sistema” que o vendo como ameaça se tinha unido todo contra ele. Em boa verdade, só não viu isto quem foi ao engano do que significava o manifesto Acácio, ou então, estando demasiado cego pela sua própria imaginada importância, se recusou a escutar e prestar atenção àquilo que de mais importante existe em democracia — o eleitorado. Em 21, este confirmou as sondagens e, sem grande surpresa, foram já 12% dos portugueses eleitores que votaram em Ventura nas eleições presidenciais, um número maior do que comunistas, bloquistas e liberais juntos.

Nem aí, no........

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