Dêem direito de voto aos bebés
Em 2018, a Fundação Calouste Gulbenkian publicou um estudo, de Sandra Maximiano, dedicado às ‘Preferências Intergeracionais da População Portuguesa” que valeria a pena repetir oito anos depois, com um país algo diferente do que era aquele que conhecíamos antes de tudo o que temos vivido política, económica e socialmente desde então. No entanto, deduzo que algumas das conclusões e factos ali enunciados não se tenham alterado tanto assim.
Ali se evidencia que 49% dos inquiridos diz que a preocupação dos decisores políticos em defender os interesses das gerações que ainda não nasceram é “média”, ao passo que 41% entende que é “baixa” e apenas 10% julgam que é “alta”. À pergunta “Os interesses dos menores de 18 anos, bem como das gerações futuras, são tidos em conta no processo político português?”, 10,2% entende que “nunca”, 33,7% “raramente”, 37,8% “ocasionalmente”, e apenas 15,5% entende que tal acontece “frequentemente” e 2,8% “sempre”.
Ao mesmo tempo, 48% dos inquiridos entende que é “alta” a sua preocupação com o bem-estar das gerações que ainda não nasceram, 39% que é “média” e apenas 13% entende que é “baixa”. Ou seja, a preocupação dos inquiridos com o bem-estar das gerações futuras é considerada pelos próprios como mais elevada do que a preocupação tida pelos decisores políticos. A consequência natural é a de que 77% dos inquiridos entendia que cada geração devia transferir para a geração futura “mais recursos do que os que recebeu da geração anterior”, 19% acredita que deve transferir “idênticos” recursos e apenas 4% “menos” recursos. Ou ainda que 48% “concorda” e 34% “concorda totalmente” com a ideia da existência de limites ao endividamento público por forma a não deixarmos um encargo tão grande às........
