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Benfica District: Entre negócio e resultados desportivos

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05.07.2026

Há uma ideia particularmente sedutora no futebol moderno: crescer fora de campo para garantir estabilidade dentro dele. O raciocínio parece intuitivo – um clube financeiramente mais forte, mais moderno e com receitas mais diversificadas deveria tornar-se também mais competitivo. O Benfica District nasce precisamente dessa ideia.

E é exatamente por isso que o debate exige frieza estratégica. Porque a experiência recente do Tottenham Hotspur demonstra que crescimento financeiro e crescimento competitivo não são necessariamente sinónimos. Em determinados contextos, podem até entrar em conflito – no limite, uma carteira de concertos esgotados, pode tornar-se financeiramente mais previsível e rentável do que uma grande campanha europeia quando o centro absoluto da organização é o entretenimento em vez do desporto.

O modelo Tottenham: quando o crescimento deixa de servir o futebol

O Tottenham tornou-se um dos casos mais paradigmáticos do futebol europeu contemporâneo. Em 2025, apresentou receitas superiores a £565 milhões, incluindo mais de £277 milhões em receitas comerciais, possui um dos estádios mais modernos do mundo e uma valorização estimada acima dos £3 mil milhões. Em paralelo, acumulou prejuízos próximos de £95 milhões e uma dívida bancária superior a £847 milhões, maioritariamente associada à construção do novo estádio. Mas mais preocupante do que os indicadores financeiros foi a erosão competitiva da equipa, incapaz de acompanhar o investimento desportivo dos principais rivais ingleses.

O problema nunca foi a construção do estádio. Pelo contrário. O Tottenham Hotspur Stadium tornou-se uma extraordinária plataforma de geração de receitas: NFL, concertos, eventos corporativos, hospitalidade premium, restauração, exploração comercial permanente e uma utilização praticamente contínua do recinto transformaram-no num dos ativos mais sofisticados do desporto europeu.

O problema surgiu quando esse sucesso económico deixou de se traduzir num reforço proporcional da competitividade dentro das quatro linhas. A partir de determinado momento, o crescimento estrutural e infraestrutural pareceu transformar-se num fim em si mesmo. O futebol deixou gradualmente de ocupar o centro absoluto da organização, cedendo espaço a uma lógica mais ampla de entretenimento, eventos, monetização de ativos e maximização de receitas. O deslumbramento foi tal que o foco deixou de estar na vertente desportiva da equipa, com claro impacto na performance da equipa dentro das 4 linhas.

E quando os resultados desportivos começaram a deteriorar-se, as fragilidades tornaram-se evidentes: menor receita proveniente da UEFA, perda de atratividade competitiva e maior pressão sobre os patrocínios. De forma quase impercetível, o Tottenham passou a depender cada vez mais de atividades não diretamente ligadas ao futebol para sustentar a sua estrutura financeira – e isso condicionou o investimento no futebol. Instalou-se um ciclo difícil de inverter.

Um clube, outrora um dos “Big 6” da Premier League, a par dos rivais de Manchester, Liverpool, Chelsea e Arsenal, forçado a lutar durante duas temporadas consecutivas até à última jornada, para não descer ao Championship. A principal lição é clara: um clube pode tornar-se estruturalmente mais rico e, ao mesmo tempo, menos competitivo desportivamente e financeiramente mais débil. E após duas épocas a terminar em 17.º na Premier League, com receitas de audiovisuais em queda e ausência de receitas........

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