A rotunda política de Santana Lopes
Há quem faça carreira política. Pedro Santana Lopes fez uma carreira em círculo, provavelmente a única modalidade olímpica em que se pode partir, regressar e ainda reclamar que se descobriu um novo caminho. Depois de décadas no PSD, de câmaras municipais, ministérios, congressos, vitórias, derrotas, ressurgimentos e reaparecimentos mais frequentes do que personagens dadas como mortas nas telenovelas da TVI, o antigo primeiro-ministro parece ter chegado a uma conclusão profundamente revolucionária: afinal, o melhor sítio para estar era exactamente aquele de onde saiu. A sua trajectória política faz lembrar aqueles turistas que passam anos a percorrer o mundo à procura do sentido da vida para acabarem sentados no café da esquina onde começaram, a dizer que não há como a nossa terra. Com a diferença de que, pelo caminho, fundam um partido, convencem umas centenas de pessoas a acompanhá-los e deixam pelo chão alguns manifestos políticos pelo caminho. Santana Lopes foi uma das figuras mais mediáticas do PSD das últimas décadas. Teve momentos de enorme popularidade, protagonizou guerras internas dignas de uma série da Netflix e chegou ao cargo máximo da governação portuguesa. Em 2004, sucedeu a Durão Barroso depois de este trocar São Bento por Bruxelas. O problema........
