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A Anthropic e o poder

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15.03.2026

Desde que temos memória histórica do funcionamento das sociedades humanas que sabemos que as exigências da guerra impõem à política mudanças por vezes abruptas e profundas. Se, na Atenas do século V a.C., os hoplitas eram, por assim dizer, mais cidadãos do que os outros, a Inglaterra no século XVIII criava leis especiais para proteger a sua construção naval. As revoluções tecnológicas dos últimos 150 anos que alteraram drasticamente a prática da guerra não deixaram de configurar as instituições e a organização da sociedade. Calhou ao nosso tempo testemunhar mais uma extraordinária revolução tecnológica e industrial e, por isso, é sem surpresa que vemos a guerra praticada pelas nações pioneiras adoptar esses triunfos da técnica. Sobretudo as operações militares levadas a cabo pelos EUA e por Israel no Líbano, na Venezuela e agora no Irão, têm levantado um pouco o véu do que nos reserva um mundo dominado pela Inteligência Artificial.

A Anthropic foi fundada em 2021 por dissidentes de uma das pioneiras deste mercado fabuloso dos chatbots, a OpenAI, cujo produto de massas mais emblemático tornou-se uma metonímia: o ChatGPT. Graças sem dúvida à genialidade do seu líder, Dario Amodei, a Anthropic desenvolveu modelos que em determinados segmentos ultrapassaram toda a concorrência. Foi o caso do Claude cujo desempenho maravilhou os seus utilizadores e, enquanto não for apanhado pelos concorrentes, continua a ter uma vantagem de preferência. Isto mesmo foi reconhecido pelo Departamento da Defesa (entretanto, com Trump, da Guerra) americano ainda no tempo de Joe Biden. O enriquecimento da Anthropic desde essa entrada no mundo da defesa e da guerra tem sido astronómico num mercado já recheado de exemplos de crescimentos empresariais que só podem ser caracterizados como astronómicos.

Amodei introduziu, no entanto, uma inovação quando fundou a Anthropic. Como das suas longas reflexões partilhadas com o resto do mundo........

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