Os tempos de ontem, os tempos de hoje
Correm tempos em que querem nos fazer crer que o mundo foi reinventado e é diferente,
Por mais que torça o intelecto não consigo vê-lo assim.
Entendo que, com mais ou menos verniz, os seres que governam continuam a ser os mesmos humanos interpretando, com o seu sentir, o que os rodeia, sempre na luta por um qualquer poder, por um qualquer interesse, mais raramente por um qualquer desígnio.
Também que os homens não são “iguais” é coisa que tenho como certa e que todos os dias reencontro, tendo ainda observado que a honestidade intelectual é de poucos.
Com esta visão embrenhada em mim tenho seguido com interesse o desenrolar dos tempos políticos de agora com Israel e Gaza, Rússia e Ucrânia, a prisão de Maduro, o aparente desequilíbrio do Presidente Trump, o cálculo da China, a frieza de Putin e a competência dos seus ministros.
E o papel de Portugal nisto tudo.
Mergulhando, então, no passado para entender o presente, retiro a acção e o pensamento de dois grandes políticos britânicos, oriundos de uma Nação que, como ninguém, soube exercer o imperialismo, hoje muito falado, mas que eu, com este artigo, procuro lembrar que é com ele(s) que temos de viver e, também, dele(s) saber aproveitar-nos.
Retirado de um magnífico artigo de David Cowan (The Canningite tradition), no séc. XIX, um grande primeiro-ministro do Reino Unido, George Canning, teorizou e aplicou que “…Os Grandes Poderes crescem e perdem-se. Alianças e rivalidades mudam. No carrossel da luta geopolítica existem as pequenas nações e as potências de média dimensão que podem ajudas os Grandes Poderes nas suas tácticas e estratégias. A Grã-Bretanha sempre concebeu o seu papel, especialmente durante o século XIX, como advogada dos interesses das pequenas nações, que podem criar o equilíbrio de forças contra as maiores potências do dia. George Canning como British Foreign Secretary entre 1807 e 1809, e depois entre 1822 a 1827, foi um dos grandes praticantes desta ideia. O seu génio passou por demonstrar que a defesa dos pequenos países pode servir uma grande estratégia.”
A perspectiva de Canning para a política externa do Reino Unido foi definida por sua iniciativa, inspirada filosoficamente por Edmond Burke (que defendeu os fracos contra os poderosos, os colonos americanos na sua batalha pela........
