Quem mantém a luz acesa?
No Dia da Mãe, multiplicam-se as mensagens, as fotografias, as flores e as promessas de gratidão. E é justo que assim seja. Há gestos que precisam de ser ditos, afectos que merecem ganhar voz, histórias que não podem ficar esquecidas. Mas, por detrás das celebrações e das imagens bonitas, permanece uma pergunta que raramente fazemos — talvez porque nos obriga a olhar para a nossa própria vida com mais verdade: o que significa, verdadeiramente, amar como uma mãe ama?
Vivemos num tempo que sabe falar de amor, mas tem cada vez mais dificuldade em sustentá-lo. Sabemos emocionar-nos, mas cansamo-nos depressa. Sabemos desejar, mas hesitamos em permanecer. Queremos relações intensas, mas evitamos relações exigentes. E, sem darmos conta, fomos aprendendo a substituir em vez de cuidar, a afastar em vez de acompanhar, a desistir em vez de esperar.
É por isso que a figura de uma mãe continua a ser profundamente subversiva.
Há uma cena simples que me acompanha há muitos anos. Não é uma teoria sobre o amor, nem um discurso edificante. É uma memória concreta, dessas que atravessam a vida inteira sem fazer ruído.
Conta-se que um homem já idoso foi um dia interrogado sobre o momento em que percebeu, com maior clareza, que a sua mãe o amava. A........
