Liderança na era da IA
Não creio que a inteligência artificial torne a liderança menos importante. Pelo contrário: quanto mais pudermos delegar na tecnologia, mais teremos de exigir a quem decide o que delegar. A pergunta que me interessa não é se uma empresa está a usar IA. É se está a usá-la para trabalhar melhor, servir melhor os clientes e preparar o futuro.
Mesmo com ferramentas semelhantes, duas organizações podem fazer escolhas muito diferentes. Uma pode utilizá-las para desenvolver novos serviços; outra, apenas para reduzir custos. É nessas escolhas que a liderança se revela.
O líder excecional não precisa de saber mais sobre tecnologia do que todos os especialistas. Precisa de compreender o suficiente para fazer boas perguntas, reconhecer limites e ligar as possibilidades da IA às necessidades do negócio.
Na escolha de um executivo, não basta um discurso convincente sobre IA. Valorizo a capacidade de explicar onde a tecnologia pode melhorar o negócio, que riscos é necessário acautelar e como preparar as pessoas para a mudança. O que importa é a capacidade efetiva de conduzir uma transformação com IA que se traduza em decisões orientadas ao negócio e em resultados.
A transformação começa nas escolhas
O primeiro erro que importa evitar é começar pela ferramenta. «Temos de usar IA» não é uma estratégia. Antes de escolher uma solução, é preciso perceber onde se perde tempo, onde se falha com o cliente e que resultados se pretende melhorar.
A distância entre adotar tecnologia e criar valor é real. Num inquérito da McKinsey publicado em agosto de 2026, 80% dos participantes referiam ganhos de produtividade individual, mas apenas 37% identificavam um contributo positivo da IA para os........
