A ilusão do consentimento e o filtro impossível da Polícia
O gesto já nem passa pelo cérebro. Alguém nos envia um link, um aviso tapa o ecrã e nós clicamos no botão para aceitar todos os cookies só para despachar o assunto. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que nasceu em Bruxelas com a promessa de nos devolver o controlo da nossa vida digital, acabou convertido nisto: uma chatice burocrática de meio segundo que serve apenas para limpar a consciência legal das empresas.
A ideia de que a nossa privacidade depende do nosso cuidado individual é um argumento falso. Dizem-nos para gerir as definições e criar passwords complexas, mas o sistema está montado para recolher por defeito. As plataformas não violam a lei; limitam-se a desenhar as aplicações de forma que recusar a entrega de dados seja tão trabalhoso que ninguém o faz. O negócio delas não é vender anúncios, é mapear o comportamento humano para prever o passo seguinte. A ideia de que a nossa privacidade depende do nosso cuidado individual (e parte depende claro), é uma ilusão alimentada para sacudir água do capote.
O cenário fica ainda mais sério........
