O Charêlo
A sério que o nosso Governo tem ministros jeitosos:
O da Educação veio trazer serenidade a um sector onde a escola era um lugar de engenharia social de esquerda, os problemas sobretudo os dos sindicatos, e o berreiro permanente o ordinário da missa. O último ministro do consulado costista, apropriadamente chamado Costa, não andava longe de considerar que juntamente com o primeiro cartão de cidadão deveria ser entregue um diploma universitário – medida revolucionária que entendia só não ser de subscrever porque não se poderia confiar nos pais para fazerem escolhas acertadas -, e presidia com desenvoltura à balbúrdia.
O das Finanças tem ar de Manelito (da série Mafalda, de Quino) e, provavelmente, feitio a condizer. Pode-se contar com ele para não deixar derrapar as contas, por muito que lhe atirem cascas de banana para o caminho, sob a forma de compra de votos e popularidade com despesa pública, e não parece que seja adepto da doutrina Centeno: aprovamos um orçamento generoso, executamos outro, o primeiro para propaganda e o segundo porque as instâncias europeias obrigam, durante os dois atroando pelos telhados a ideia da imensa superioridade do Ronaldo das finanças.
A do Trabalho andou nove meses a negociar na Concertação Social, sem conseguir acordo, novas leis laborais. Não conseguir acordo das centrais sindicais é um excelente indicador da bondade da legislação; e a antipatia da comunicação social dá sinal de a direcção ser a correcta. Claro que, desde que tropeçou na rejeição, deveria ter remetido a concertação (uma excrecência nórdica onde há uns senhores que fingem que representam os trabalhadores e outros que fingem que representam os patrões), para a irrelevância – a Constituição obriga-me a consultar-vos mas se é só isso que têm para dizer, pronto, pronto, já ouvi, mas agora vou ali reformar que não estou no ramo do faz-de-conta. A nova legislação, apesar de tudo, vai ser, provavelmente, aprovada um destes dias, numa versão edulcorada da edulcoração original.
O da Defesa saiu lebre por gato: Ninguém dava nada por ele mas tem feito um bom trabalho com pouca conversa. Faz muito bem, que sempre que abre a boca cai-lhe a comunicação social em cima.
De quase todos os outros não falo senão para dizer que aparentemente existem, incluindo os daquelas pastas que deveriam ser extintas, como a da Economia, ou da Cultura, Juventude e Desporto, mais o Ambiente e Energia – tudo departamentos que deveriam ser degradados........
