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Marcelo e Trump

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05.03.2026

O nosso Presidente vai-se embora dentro de dias e já declarou que se manterá em silêncio, no que, infelizmente, não podemos acreditar.

Em silêncio nunca esteve. Pelo contrário: São às centenas os discursos que fez, aos milhares os artigos que publicou e as homilias televisivas em que preopinou, e em número mais elevado ainda as selfies que hoje ornam, em ternurentas molduras, as estantes e as lareiras de incontáveis lares de Portugueses.

Reconhece-se-lhe uma inteligência fulgurante, uma vasta cultura e um discurso cativante – pelo menos é o que diz a totalidade das pessoas que o conhecem pessoalmente e a quase das outras.

O discurso, de facto, desagrada a pouca gente porque vem sempre envolto em simpatia e num infalível sexto-sentido para cair bem; a cultura deve ser imensa, ainda que não se consiga imaginar onde sobrou o tempo para a enriquecer com leituras; e a inteligência nunca se desarrincou em nenhuma ideia original, nenhuma opinião que fosse contra o ar do tempo e nenhum projecto de sociedade que pudesse vencer o atávico atraso de Portugal, o que espíritos mais chãos acham que só se pode conseguir crescendo economicamente muito mais do que (e não é ser excessivamente ambicioso) a média nos últimos vinte anos.

O que fica então destes dez anos de presidência e da extensa e prestigiada carreira como parlamentar, secretário de Estado e ministro, líder partidário, jornalista, comentador político e professor de Direito?

Fica o famoso e saboroso (o caso, não a sopa) episódio da vichyssoise, um imenso rosário de intrigas palacianas que já só vivem na memória de quem nelas esteve envolvido, a troca de uns calções numa praia, em público, a recolha apressada ao Palácio aquando da histeria covidesca, os puxões inopinados a um orador que cumprimentava naquela coisa espalha-brasas da WebSummit, a (boa) piada, numa feira, à menina de generoso decote (veja lá se não se constipa) e outros numerosos episódios picarescos.

De política substantiva nada, a não ser que assim se queiram considerar a convivência excessivamente pacífica com o governo de Costa e a torrente de “recados” sortidos em discursos e declarações, sempre a benefício da dança de cadeiras, que é no que consiste, na mundividência marcelista, a política.

“Éramos felizes e não........

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