Mantra do "direito internacional" esconde anti-ocidentalismo
É tão certo como um relógio suíço: o PCP nunca nos falha quando se trata de condenar aquilo que designa como “imperialismo americano”. Por isso lá o voltámos a ver este sábado a emitir uma sacramental nota apropriadamente intitulada “PCP condena a nova agressão militar dos EUA e Israel contra o Irão”. Condenação veemente, acrescentava-se na primeira linha do comunicado. Mesmo assim não deixa de ser curioso, e revelador, comparar o título desta nota com a que o mesmo partido emitiu a 24 de Fevereiro de 2022, aquando da invasão da Ucrânia: “O PCP apela à promoção de iniciativas de diálogo e à paz na Europa”. Condenação de um lado, compreensão do outro.
Dir-se-á que já poucos ligam ao que o PCP diz e escreve, valendo o partido cada vez menos em termos eleitorais. É verdade, e o mesmo poderíamos dizer do Bloco de Esquerda, que também não desiludiu. Para José Manuel Pureza, o novo coordenador, há que exigir ao Governo “a condenação clara deste ataque vil à República do Irão”. Depois, para que não restassem dúvidas, puxou dos galões: “A primeira vez que uma bandeira deste Bloco saiu à rua foi para denunciar a guerra: nem mais um soldado para os Balcãs”. Sim, é verdade, já nem me lembrava. Foi em 1999, foi por causa da limpeza étnica a que a Sérvia estava a proceder no Kosovo e na altura os aviões americanos voaram ao lado dos europeus, incluindo F-16 portugueses. No final a Sérvia cedeu, o Kosovo pode seguir um caminho de autodeterminação e o ditador de Belgrado, Slobodan Milosevic, acabaria por ser afastado do poder passado pouco mais de um ano, quando tentou falsificar umas eleições. Será que o nosso Pureza lamenta esse desfecho?
Bem, dir-se-á que tudo, mesmo somando Bloco e PCP, conta pouco, o que é verdade. Acontece porém que à pala do mantra das violações do direito internacional, este mesmo discurso encontra largo palco noutras paragens. Numa nota editorial no Correio da Manhã, Armando Esteves Pereira, depois de repetir a ideia de que “o ataque militar americano e de Israel ao Irão é mais um atentado contra o direito internacional”, acrescentava esta pérola: “este ataque em pleno Ramadão, um mês sagrado para os muçulmanos, mostra um profundo desrespeito de Donald Trump e de Benjamin Netanyahu perante valores que são importantes para centenas de milhões de pessoas em todo o mundo”. Também em editorial, mas no Público, David Pontes........
