É chique ser activista. Mais chique do que ser extremista
Estão por todo o lado. São os activistas climáticos. Os activistas sociais. Os activistas LGBT e etc. Os activistas pela Palestina. Os activistas pela habitação. Os activistas pelos direitos dos animais. E por aí adiante, não nos falte a imaginação.
Os activistas podem pespegar na frente de uma “acampada” um cartaz onde se lê “A revolução é linda” (aconteceu agora mesmo no Porto) que isso não faz deles revolucionários – continuam a ser simpáticos e sorridentes activistas. Inocentes activistas.
Os activistas podem cortar ruas, ocupar praças, incendiar caixotes do lixo (na versão mais modesta da prática de incendiar carros e lojas) que nunca correm o risco de serem acusados de violar a lei ou de serem violentos – se trouxerem uma flor no cabelo é essa flor que se vai ver, não o lenço que lhes esconde a cara.
Os activistas podem proferir ameaças ao primeiro-ministro, podem atirar cocktails Molotov contra manifestantes de que discordam, podem manifestar-se com um coelho enforcado quando um governante se chamava Coelho, tudo se lhes perdoa porque são activistas.
Ou pelo menos é assim que funciona a lógica comunicacional. É assim também que funciona a novilíngua destes dias que vivemos.
Conhecemos, ou pelo menos temos obrigação de conhecer o conceito de novilíngua, a linguagem minimalista e totalitária que George Orwell imaginou em 1984. A novilíngua, explicou-nos ele, “foi concebida não para aumentar, mas para restringir o campo do pensamento, propósito indirectamente servido pela redução ao mínimo da gama das palavras”. Com menos palavras ficamos coartados na liberdade de pensar, pois a novilíngua foi criada para que tudo se tornasse literalmente impensável “pelo menos na medida em que o pensamento depende da palavra”.
Orwell não viveu no tempo da simplificação das redes sociais e do mimetismo das televisões, mas certamente reconheceria esta nossa tendência para reduzir tudo a........
