Manifesto para os Direitos Humanos da Mãe
A mulher-mãe foi desde os primórdios das civilizações humanas valorizada como o lugar-fonte da humanidade que se renova em cada geração. Que ser humano mais nobre e que mais respeitamos do que a mãe? É a mãe a fonte de vida e de autoridade, é a referência fundamental e fundante das sociedades, na precisa medida em que é a dadora e cuidadora de vida. Por isso, tanto nos textos sagrados como profanos, tanto na literatura como na arte, a figura da mãe é cantada, louvada e elevada a um estatuto distinto entre todos os seres humanos.
Hoje em dia, nas sociedades expostas à globalização acelerada e ao culto da informação e da imagem, a figura da mãe, ainda que mantendo algum respeito, não beneficia de uma cultura social e empresarial que valorize o seu estatuto. No tempo da “cultura da pressa” e dos resultados imediatistas em que vivemos, o desejo indómito da mulher querer e poder ser mãe é, por muitos, percecionado como um obstáculo, um empecilho, uma ameaça à eficiência da “economia que mata”, no dizer certeiro do Papa Francisco. Ser mãe requer, precisamente, o contrário deste modelo de sociedade e de economia acelerada e desumanizadora. Ser mãe requer tempo, calma, serenidade, contemplação, para bem gerar e cuidar os seres humanos que dá à luz.
Por isso, o grande desafio da humanidade hodierna é precisamente dar condições para a mulher, que quer livremente ser mãe, poder realizar esse sonho mais belo e mais necessário, garantindo todas as condições de dignidade e de realização pessoal e profissional.
Vive-se, hoje, numa cultura social marcada pelos Direitos. Desde a proclamação dos Direitos do Homem pela Revolução Francesa, em 1789, iniciou-se um processo profundo de viragem civilizacional. Passou a fundar-se a pirâmide social da Civilização do Ocidente sobre os direitos e não sobre os deveres, com consequências positivas para a humanização dos sectores sociais menos privilegiados, mas, ao mesmo tempo, criando dificuldades no plano da corresponsabilidade, de que os deveres são o reverso da medalha que nunca se pode........
