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A tentação do bem comum

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31.07.2026

1 de maio de 1956. Elizabeth Anscombe, filósofa católica, faz um breve, mas assertivo, discurso em Oxford, opondo-se à possibilidade de aquela universidade conferir um grau académico honorário ao presidente norte-americano, Harry S. Truman. Porquê? Por causa das duas bombas atómicas lançadas sobre o Japão por ordem de Truman: “I am determined to oppose the proposal to give Mr. Truman an honorary degree here at Oxford.”

Anscombe falhou e Truman recebeu um grau académico honorário em Oxford. O episódio interessa, pois é o ponto de partida da teoria moral de Anscombe, centrada na ideia de que não dispomos de ferramentas teóricas capazes de nos guiar na reflexão sobre casos como o de Truman. Para Anscombe, Truman era um assassino: nas suas palavras, “a couple of massacres to a man’s credit”.

Anscombe reconhece a veracidade do argumento consequencialista: o recurso a bombas atómicas permitiu antecipar o fim da guerra, salvando, assim, um número de vidas potencialmente superior ao de vidas perdidas em Hiroshima e Nagasaki. Contudo, para Anscombe nada disso importa: Truman era um homicida, independentemente das boas consequências das suas acções; Truman assassinou, intencionalmente, milhares de pessoas. Para Anscombe há uma distinção entre o que pretendemos e o que prevemos como efeito secundário. Isto é, o facto de pretendermos pôr fim à guerra e salvar milhares de vidas não justifica o “efeito secundário” de eliminar intencionalmente milhares de japoneses.

Transformado num........

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