Entre a motosserra de Milei e a tesoura de cartolina portugu
Há duas formas de olhar para o mercado de trabalho.
Uma é perguntar: porque é que as empresas não contratam? A outra é perguntar: como podemos escrever mais vinte páginas no Código do Trabalho?
A Argentina de Javier Milei decidiu tentar a primeira. Portugal continua fiel à segunda.
O contraste é tão evidente que quase parece um exercício académico.
A economia argentina tem um problema brutal: entre 40% e 50% da população ativa trabalha na informalidade. Não porque os argentinos tenham uma vocação anárquica especial, mas porque durante décadas o sistema laboral se tornou tão rígido, tão litigioso e tão caro que muitas empresas simplesmente deixaram de contratar formalmente.
Quando contratar é arriscado, o emprego desaparece. Ou, mais precisamente, desaparece do radar do Estado.
A reforma laboral de Milei parte desse diagnóstico simples: se o sistema formal é impossível, as pessoas acabam por trabalhar fora dele.
A solução proposta pode parecer escandalosamente radical para certas sensibilidades da esquerda europeia. Reduzir o risco de contratar.
Entre outras medidas, estabelece um período experimental de seis meses nas empresas maiores e até um ano nas mais pequenas. Uma ideia aparentemente revolucionária. Embora, curiosamente, países perfeitamente civilizados como a Alemanha tenham períodos experimentais de seis meses há décadas, sem contar que o trabalho a termo é um léxico que não........
