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Carlos III e o requiem da "Rules-Based Order"

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12.05.2026

O teatro e a realidade cruzam-se muitas vezes, fazendo da visita de Carlos III de Inglaterra a Washington a pantomina perfeita de uma cerimónia antecipada: o representante titular de um império que nunca assumiu ser império, a discursar no templo da república que um dia se libertou desse mesmo império, a pedir-lhe que continuasse a ser o guarda-costas armado de uma arquitetura financeira e geopolítica centrada na Cidade de Londres. Foi, como alguém disse com a frontalidade que só a verdade permite, um funeral muito bonito. Um daqueles funerais em que, por respeito ao defunto, ninguém diz o que realmente pensa.

Perceber o que se passou em Washington exige recuar no tempo, não décadas, mas séculos. A Grã-Bretanha foi, ao longo dos últimos trezentos anos, a mais sofisticada máquina de poder oculto que o mundo moderno conheceu. Não o poder dos exércitos que marcham a descoberto, pois esse é o poder dos ingénuos e dos que não têm outro. O poder britânico foi sempre o poder das redes, das finanças, da narrativa, da infiltração. O poder de convencer o mundo de que a sua hegemonia era, na verdade, a ordem natural das coisas. De que o livre-comércio que defendia era universal quando era, de facto, o sistema que melhor servia o capital instalado em Londres. De que as guerras que financiava eram conflitos regionais quando eram, invariavelmente, instrumentos de uma estratégia de longo prazo.

A Rules-Based International Order, a expressão que........

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