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João Pedro George e a gente branca

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15.06.2026

No meu último artigo apelei aos deputados a que olhassem com muito cuidado para a proposta de alteração do Código Penal que, entre outras coisas, visava criminalizar discursos tidos por racistas — proposta entretanto rejeitada, felizmente, porque PSD, Iniciativa Liberal, Chega e CDS votaram em bloco contra ela. Mas voltemos ao meu artigo. Ao lê-lo, o sociólogo, crítico literário e psicanalista amador João Pedro George julgou descortinar no que escrevi aquilo a que chamou um “lapso freudiano” e deu conta disso no seu Facebook. Aí, para dar-se ares de pessoa muito inteligente e profunda, George fez aquilo a que os anglo-saxónicos chamam overinterpretation, isto é, tentou encontrar significados escondidos, inconscientes, em tudo e mais um par de botas, coisa que manifestamente gosta de fazer e que é muito apreciada e aplaudida na nossa esquerda académica (onde, como é sabido, só há pessoas muito inteligentes, profundas e versadas em psicanálise).

Começando por sugerir que eu talvez gostasse de ser membro do Ku Klux Klan, João Pedro George seleccionou a seguinte passagem do meu último artigo: “O combate ao racismo é uma coisa louvável e desejável, mas é um perigo pôr na mão de pessoas como Anizabela Amaral, Samuel Alfredo Gomes (também conhecido como Samuel Yoffa Namaba) e seus amigos do SOS Racismo, um articulado que lhes permita perseguir judicialmente gente branca apenas porque exprime ideias com as quais não concordam”. Dessa passagem George fez ressaltar a expressão “gente branca” — seria esse o tal “lapso freudiano” — e perguntou de forma retórica, mas acusatória, o seguinte: “haverá afirmação mais racista que esta?”. Porém, como fraco psicanalista que é, em vez de nos deixar pensar um pouco sobre o assunto, deu ele mesmo a resposta: “João Pedro Marques tem medo que a proposta de alteração, a ser aprovada, sirva para o perseguir a ele judicialmente (e a outros cronistas brancos). Ou melhor: JPM considera que a lei comporta o risco de os brancos virem a ser constituídos arguidos (quando agora se limitam a pagar uma multa), limitando a sua liberdade de escreverem o que bem entenderem. Mais estranho do que isso é imaginar uma lei criminal........

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