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Para além de esquerda e direita: a essência das ideologias

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09.06.2026

A filosofia política atual revela uma imperfeição evidente no modo como analisa e classifica os vários fenómenos políticos. Os instrumentos mais usados para esse efeito, em especial o eixo esquerda-direita, não só se mostram desatualizados, como falham no momento em que são confrontados com a realidade político-filosófica dos movimentos, regimes, governos ou acontecimentos de natureza política. O problema não está apenas no diagnóstico errado a que muitas vezes conduzem, mas no próprio método de análise que adotam. Em vez de procurarem compreender os fenómenos políticos a partir da sua natureza e do seu fim, acabam por enquadrá-los segundo categorias comparativas, parciais e frequentemente dependentes da oposição ideológica de quem observa. Deste modo, a análise política deixa de assentar na realidade do objeto estudado e passa, demasiadas vezes, a refletir os preconceitos, os limites e os instrumentos de interpretação do próprio analista.

Seguindo a lógica da leitura assente na dicotomia esquerda-direita, chegamos a um diagnóstico em que os fenómenos políticos são classificados mais pela oposição do que pela sua verdadeira comparação e definição. Esta leitura acaba por revelar mais sobre a qualidade ideológica de quem avalia do que sobre a realidade do objeto que se propõe ao estudo. Assim, mesmo quando estamos perante uma realidade que se afirma dentro de um determinado campo ideológico, essa mesma realidade pode ser revista e reinterpretada não segundo a sua essência declarativa e normativa, mas antes segundo a base ideológica do próprio analista. É precisamente daqui que resulta o erro de colocar rótulos e qualificar algo, quando o próprio movimento indica ter uma outra natureza.

Por essa razão, a realidade política nunca deve, nem pode, ser analisada por contradição. A oposição revela conflito, mas não define identidade. Um movimento não é aquilo a que se opõe, é aquilo que afirma. Quando assim acontece, perde-se a sua veracidade, tanto na análise como na sua caracterização. A realidade de um fenómeno político deve resultar da sua própria conceção enquanto objeto de estudo, passando a contar, para esse efeito, a sua própria conceptualização, com foco na sua ontologia e na sua teleologia. É precisamente aí que se encontra a sua essência ideológica e a razão da sua verdadeira qualificação. Revela-se, portanto, uma nova realidade de estudo, mais apta a concretizar a realidade científica e a afirmar uma nova teoria dentro da filosofia política.

Se abandonarmos o eixo esquerda-direita e procurarmos compreender as ideologias a partir dos seus  princípios, compreendemos a sua verdadeira essência.

Debruço-me agora sobre o plano concreto, fazendo referência aos três principais campos ideológicos da filosofia política: o socialismo, o liberalismo e o........

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