Clima e Habitação: o mesmo padrão!
“Também poderia [o Estado] imprimir notas para todos”
(Declarações de uma manifestante em Madrid, há uns dias)
As crises da habitação e do clima são os novos palcos de uma velha coreografia de ideologia bem conhecida. À falta de votos, a esquerda radical e estatista encontrou nestas duas áreas o pretexto ideal para reativar o seu combate fundamental: o derrube do capitalismo e a expansão do controlo do Estado sobre a vida dos cidadãos.
Com efeito, sob o manto da urgência e da inevitabilidade, desenha-se uma narrativa em que a complexidade do mundo real é reduzida a um combate dos bons contra os maus, ignorando os mais básicos conceitos de economia, ciência e da própria democracia, até porque não é difícil encontrar nos manifestantes de rua a ignorância da citação do início deste texto – foi uma manifestante em Madrid, mas podia ter sido um dos do Rossio ou de Paris.
Mas já lá vamos, que isto começa com… o alarmismo. Na habitação, propaga-se a ideia de que nunca foi tão difícil ter casa, apagando da memória histórica as profundas carências habitacionais de décadas passadas, enquanto no clima, de forma semelhante, qualquer chuvada, nevão ou seca é um fenómeno apocalíptico nunca antes visto. O objetivo? Cultivar um estado de pânico que justifique a suspensão das liberdades em nome de uma pretensa salvação coletiva.
O passo seguinte consiste em apontar o dedo aos bodes expiatórios do costume. Na habitação, a culpa é dos “fundos abutres” e da especulação imobiliária, os........
