Cheias: passado esquecido e futuro adiado?
“Fala-se muito de reforma do Estado, mas faz-se pouco por isso.” (Pedro Passos Coelho, na passada quarta-feira)
A citação acima, de Passos Coelho, insere-se num contexto em que o ex-primeiro-ministro lembrou as previsões de um crescimento económico miserável a partir de 2027 e onde avisou que a inteligência artificial não resolverá os problemas estruturais do país.
País que, já com tantos problemas, tem sido vítima de um inverno terrível: se durante anos tememos a seca, por estes dias as cheias não têm saído das televisões. Comecemos então por elas.
As cheias no nosso território existem independentemente de existirem ou não pessoas. Com efeito, o nosso clima caracteriza-se por uma grande irregularidade e concentração da precipitação nos meses de inverno, estação que, dada a nossa posição geográfica, é marcada por tempestades vindas do Atlântico trazendo massas de ar muito húmidas.
Os problemas decorrem, assim, da nossa presença (procuramos desde sempre – um exemplo bem conhecido é o florescimento do Antigo Egipto ao longo do Nilo e intimamente dependente das suas cheias – estas zonas alagadiças porque os benefícios compensam os riscos), que pode transformar fenómenos naturais, que sempre existiram, em catástrofes recorrentes.
E, de facto, tem-nos faltado memória sobre estes acontecimentos. Com grandes cheias e seus estragos documentadas desde o início da nossa história – da grande cheia do Tejo em 1170 às 700 vítimas e 20 mil casas destruídas em 1967, não........
