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A banalidade do risco

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11.04.2026

Há números que deveriam envergonhar-nos. Não indignar-nos só por um dia, enquanto fazemos scrolling rápido e alheado, mas sim envergonhar-nos mesmo no nosso âmago. Durante a operação de Páscoa de 2026, a PSP e GNR registaram 18 mortos em milhares de acidentes, largas centenas de feridos e outras centenas de condutores detidos.

O que se descreve acima é um padrão. A condução em Portugal continua a ser, em demasiados casos, uma expressão comportamental de impulsividade, baixa perceção de risco e, sobretudo, de uma relação problemática com a norma. Passar no vermelho, acelerar sistematicamente acima dos limites, conduzir sob efeito de álcool, usar o telemóvel ou simplesmente adotar uma postura errática ao volante não são exceções, são práticas banalizadas.

Do ponto de vista psiquiátrico tudo isto tem uma relevância expressiva. A condução é um comportamento complexo que envolve controlo inibitório, avaliação de risco e capacidade de adiar gratificação. Quando uma sociedade falha de forma repetida nestes domínios, não estamos apenas perante infrações rodoviárias, estamos perante um problema de regulação comportamental coletiva. Portugal conduz mal........

© Observador