Quando a saúde reflecte o país que estamos a construir
Portugal habituou-se a olhar para a saúde através dos números. O número de consultas realizadas, os tempos de espera, os utentes sem Médico de Família ou os índices de desempenho que ocupam regularmente o espaço público e o debate político, muitas vezes “politiqueiro”.
Os indicadores são indispensáveis. Permitem medir, comparar e identificar problemas. Contudo, existe um risco quando os números passam a substituir a compreensão da realidade que lhes dá origem. A saúde de uma população não se resume ao que é mensurável. É também o reflexo das condições sociais, económicas, demográficas e territoriais em que as pessoas vivem.
Nas últimas décadas, Portugal alcançou uma das suas maiores conquistas civilizacionais, que foi o aumento da esperança de vida. Vivemos mais anos, mas também convivemos com mais doença crónica, multimorbilidade e dependência, exigindo respostas de saúde cada vez mais complexas e continuadas.
Simultaneamente, o país transformou-se. A natalidade diminuiu, as famílias reduziram a sua dimensão, os movimentos migratórios alteraram a composição demográfica e a população continuou a concentrar-se no litoral. O resultado é um país marcado por fortes assimetrias territoriais. Nas áreas........
