Tudo que é demais é moléstia
Não tenho seguido com atenção as audições que estão a ocorrer na Assembleia da República sobre os negócios do fogo, mas vou ouvindo ecos aqui e ali.
Um destes dias foi ouvido o Comandante Nacional da Protecção Civil, um dos jornais da televisão passou um bocadinho, deitei as mãos à cabeça com o que ouvi, mas se escrevesse sempre que me irrito com o que ouço sobre a gestão do fogo, não fazia outra coisa. A minha intenção era deixar passar o assunto.
Mais tarde passou-me pelos olhos uma ligação para este artigo, e já de pé atrás com o que tinha ouvido, fui ler, com a esperança de encontrar algum bálsamo para a minha descrença nas políticas públicas de gestão do fogo. Li, reli e concluí: tudo o que é demais é moléstia, pelo que decidi citar entre aspas e em itálico, comentando no parágrafo seguinte:
“O problema português, do ponto de vista dos incêndios rurais, não é uma questão de meios, de recursos. É uma questão de número de ocorrências e do tipo de paisagem que temos”.
Esta afirmação é semelhante a dizer que a rentabilidade de uma exploração agrícola não é uma questão de recursos e organização, a questão são os solos pobres e a falta de água. Ou dizer que o combate à sinistralidade rodoviária não é uma questão de recursos e organização, a questão é que existem condutores e automóveis. O número de ignições e a paisagem são dados do problema, o que seria normal é que a protecção civil soubesse isso e se preparasse para gerir a realidade que existe, em vez de se queixar que a realidade é a que existe. De resto, em Portugal, as ignições diminuíram para um terço, não diminuíram um terço, diminuíram para um terço, e........
