A grande substituição do eleitorado
“Se estão a contar com os operários brancos católicos para fazer o socialismo, tal não acontecerá” — declarou o líder da extrema esquerda francesa, Jean-Luc Mélenchon, numa sessão dum think tank do seu partido, a França Insubmissa. Num país que, como acontece em França, vive na obsessão do racismo, da discriminação e do machismo esta frase tinha vários ingredientes para ser criminalizada: porquê operários e não operárias? Porquê brancos? Porquê católicos e não muçulmanos?… Mas quando em Abril deste ano Mélenchon fez estas declarações — “Si vous comptez sur les ouvriers blancs catholiques pour faire le socialisme en France, ça n’aura pas lieu.” (em francês soa melhor) — elas já não eram uma opinião de que se possa discordar mas sim a constatação da táctica de Mélenchon para se tornar no próximo presidente francês: a grande substituição do eleitorado através da imigração e sobretudo do incentivo do ressentimento entre os descendentes de alguns grupos de imigrantes. E o “alguns” aqui é determinante. Mas já lá iremos, ao “alguns”, pois outros protagonistas foram surgindo pelo caminho na demanda de novos eleitores.
As causas das minorias, das ultra-minorias e das minorias das minorias em que essa esquerda se envolveu durante anos e que a levou, para perplexidade de muitos dos seus, do mais ou menos consensual casamento homossexual ao estrambolismo dos LGBTQQICAPF2K , fazem notícias, agitam polémicas e provocam aquele efeito desgastante em que as ideias mais impopulares acabam por se impor através da erosão constante do quotidiano. Mas como o próprio nome indica trata-se de minorias e de causas........
