Estabilidade política não é política económica
São duas boas notícias e meia que nos traz a proposta de Orçamento do Estado para 2027. A primeira é a manutenção do compromisso com o equilíbrio das contas públicas, um consenso que até começa a atingir níveis de alguma irracionalidade. O mais importante é manter a dívida pública numa trajetória descendente, o que não exige necessariamente um saldo orçamental positivo em todos os anos. Mas o défice tornou-se num drama político, o que, apesar de tudo, acaba por ser preferível ao tempo em que os economistas alertavam para a derrapagem das contas públicas e os políticos ignoravam esses alertas.
A segunda boa notícia é a perspetiva de aprovação do Orçamento sem os dramas políticos habituais do passado. O PS, apesar de um pequeno «teatrinho» a seguir à apresentação do OE, já anunciou a intenção de se abster, afastando o risco de uma crise política por causa de um documento que, afinal, se limita essencialmente a traduzir em números as políticas e os compromissos financeiros do Estado.
O Governo prevê um excedente de 0,1% do PIB em 2027 e que a dívida desça para 84,5% do PIB, com a economia a crescer 2,1%, perspetiva mais otimista do........
