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Rezar no espaço público: liberdade ou instrumentalização?

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24.03.2026

O vídeo do mayor de Londres, Sadiq Khan, a rezar em Trafalgar Square durante um open iftar reacendeu o debate europeu sobre religião no espaço público. Para uns, trata‑se de um gesto normal de liberdade religiosa numa cidade plural; para outros, de um ato de “dominação simbólica”, alinhado com a ideologia do islamismo político. O problema não é a oração pública em si, mas a forma como o espaço comum pode ser usado para transmitir mensagens políticas sob a aparência de fé.

Convém separar o que é facto do que é leitura. O evento foi um iftar aberto, organizado por entidades cívicas, com milhares de participantes, incluindo crentes de várias confissões. Sadiq Khan participou e discursou, sublinhando a diversidade religiosa de Londres. Do ponto de vista legal, nada esteve em causa. A controvérsia nasceu da leitura simbólica: uma oração comunitária no coração de uma capital europeia, sob um marco nacional como a Coluna de Nelson.

Daí emergem duas perspetivas concorrentes. A primeira vê o episódio como um ato de dominação. Nesta leitura, a oração ritual coletiva em espaços‑símbolo do Estado não é neutra: para além da piedade, afirma presença e força identitária. Não se acusam todos os participantes de islamismo, mas reconhece‑se que certas correntes islamistas usam a ocupação do espaço público como demonstração de poder e como verdadeiro “ativismo de rua”. A segunda entende o momento como um ato de........

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