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O Grau académico que morreu e a Universidade que ainda não

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29.06.2026

Há pouco tempo, escrevia que valia a pena ir às aulas e poucas semanas depois, perguntava se deveríamos regular a inteligência artificial ou reinventar o ensino. Essas duas perguntas não pertencem a capítulos separados, cruzam-se no mesmo ponto de fratura. A primeira interrogava a presença: o que se perde quando a universidade se transforma numa sucessão de ficheiros, vídeos e tarefas submetidas à distância da experiência comum. A segunda interrogava a confiança: o que acontece quando a IA passa a escrever, resumir, programar, argumentar e simular competências que antes permitiam distinguir o esforço próprio da mera reprodução. Entre uma e outra há um fio silencioso, mas decisivo: a universidade deixou de poder justificar-se apenas pelo acesso ao conhecimento, porque o conhecimento está hoje disponível, acelerado, multiplicado e, por vezes, falsamente domesticado por máquinas capazes de responder antes de o estudante ter aprendido a perguntar.

Hoje, a questão impõe-se com maior gravidade. O grau universitário, tal como o conhecemos durante séculos, está a perder parte da sua evidência social. Não por morte súbita, mas por lenta erosão. Três fatores convergem: a diminuição da frequência das aulas, a desconfiança pública sobre o valor económico do diploma e a disrupção tecnológica que transforma competências em mercadorias de validade curta. A pergunta já não é apenas se a universidade deve mudar. A pergunta é se conseguirá mudar a tempo sem perder aquilo que a torna insubstituível.

Em maio de 2026, o Higher Education Policy Institute publicou um relatório que confirma o que muitos docentes já sentiam nas salas vazias: no Reino Unido, a proporção de estudantes que frequentam todas as aulas caiu de 63% em 2006 para 48% em 2025, e as horas de ensino perdidas duplicaram no mesmo período. A ausência tornou-se barata, mas o seu custo permanece alto; apenas se tornou menos visível. Diapositivos, gravações, plataformas digitais, chatbots de IA e instituições que continuam, hoje, a investirem em tecnologias a olharem pelo retrovisor reduziram drasticamente o esforço imediato de faltar. A pandemia, por sua vez, normalizou uma relação mais fragmentada com o ensino. O estudante sente, muitas vezes, que não perdeu a aula, apenas a adiou. O problema é que esse “mais tarde” raramente regressa com a mesma intensidade intelectual.

Mas a crise da frequência é apenas sintoma de uma crise maior. Em junho de 2026, o British Social Attitudes, do National Centre for Social Research, revelou que 34% dos inquiridos em Inglaterra concordavam que a educação universitária “simplesmente não vale o tempo e o dinheiro que normalmente exige”, valor que era de 14% em 2005. No mesmo inquérito, apenas 36% acreditavam que quem frequenta a universidade acaba por ficar muito melhor financeiramente do que quem não o faz, contra 50% em 2005. Quando questionados sobre se um grau representa uma boa relação custo-benefício, 77% responderam que não. Estes números não são apenas estatística. São o eco de uma sociedade que começa a olhar para a universidade como se olha para um contrato: paga-se muito, promete-se muito, mas já não se sabe se o retorno compensa o sacrifício.

A erosão do chamado graduate premium reforça esta perceção. De acordo com o National Institute of Economic and Social Research, o valor salarial dos diplomados no Reino Unido caiu de cerca de 50% para 36% entre 2007 e 2024, no caso dos adultos em idade ativa. Para os trabalhadores jovens, a queda foi igualmente expressiva: de cerca de 35% para 24%. Ao mesmo tempo, a expansão do número de diplomados não foi acompanhada por um crescimento proporcional de empregos de nível superior. O resultado é uma tensão nova: mais pessoas chegam à universidade, mas nem........

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