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Duas filhas, duas relações, a mesma história (IV)

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No primeiro artigo, “Alienação Parental Antes do Divórcio: Os Sinais que José Não Reconheceu (I)”, acompanhámos o testemunho de José sobre os primeiros indícios que, hoje, identifica como tendo surgido ainda durante o casamento. No segundo, “Alienação Parental: Quando o Casamento Chegou ao Limite (II)”, explorámos a degradação progressiva da relação conjugal e o impacto que essa escalada teve na dinâmica familiar. No terceiro, “Violência Doméstica e Alienação Parental: Quando o Medo Substitui o Diálogo (III)”, acompanhámos o momento em que as acusações de violência doméstica, os processos judiciais e as primeiras decisões do tribunal marcaram o início do afastamento entre pai e filha. Neste quarto artigo, regressamos aos anos que antecederam a sua separação para compreender melhor a forma como o José viveu a relação com cada uma das suas filhas.

A alienação parental raramente começa de um dia para o outro ou com uma decisão judicial. Quando existe, costuma construir-se lentamente, muito antes da separação, através de pequenas dinâmicas do quotidiano que, isoladamente, podem parecer irrelevantes. Contudo, a sua repetição continuada pode influenciar a forma como a criança perceciona o pai ou a mãe que se torna alvo desse processo, favorecendo, progressivamente, o enfraquecimento da sua relação com o mesmo.

Quando o pai deixa de ter um espaço próprio

Ao revisitar os primeiros anos de vida da filha mais velha, Rita (nome fictício), o José recordou que, desde cedo, sentia o seu espaço enquanto pai progressivamente reduzido. Na sua perspetiva, não se tratava de episódios isolados, mas de uma dinâmica persistente em que a mãe assumia frequentemente o papel de mediadora da relação entre ambos, dificultando a construção de uma comunicação direta e espontânea com a filha. Como descreveu: “Com a Rita, que era a minha filha mais velha. Sempre foi difícil no sentido em que a mãe sempre esteve presente em tudo. Ou seja, talvez tenha conseguido dar banho quando ela era pequenina, sem a mãe presente. Para a mãe estar a fazer outra coisa qualquer. Em tudo o resto, eu a vestir, eu a pegá-la ao colo, eu a brincar, eu a interagir com ela verbalmente, já ela com 2 anos, que acontecia é que a mãe estava sempre no meio. Quando digo no meio é nós tentarmos interagir com alguém verbalmente, “então como é que estás?”, “O que é que comeste?”,........

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