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O coração de Portugal não pode continuar à espera

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27.09.2026

Sabem o número de contribuinte. A matrícula do carro. Provavelmente, a palavra-passe do telemóvel. Mas, se eu vos perguntar qual é a vossa tensão arterial, o vosso colesterol e a vossa glicemia, os três números que mais determinam se vão sofrer um enfarte, um AVC ou morrer de causa cardiovascular, a maioria não sabe responder. E não é por descuido. É porque o sistema de saúde ainda não está a conseguir ir ao encontro das pessoas antes de elas adoecerem.

Este é o paradoxo que define a saúde cardiovascular em Portugal. Do lado do tratamento, temos razões para nos orgulhar: nas últimas três décadas, a mortalidade por enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral caiu de forma dramática. Construímos redes de intervenção imediata que funcionam; aprendemos a intervir mais depressa e a tratar melhor. Mas a doença cardiovascular continua a ser a nossa principal causa de morte: cerca de 30 000 vidas perdidas só no ano de 2024. Estima-se que oito em cada dez dessas mortes prematuras seriam evitáveis através de alterações no comportamento e tratamento adequado dos fatores de risco, como o tabagismo, a diabetes, a obesidade e o sedentarismo, o colesterol elevado e a hipertensão. Não são apenas........

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