Psicologia do protesto
Talvez o mais misterioso no meio destes acampamentos atribulados, das conchinhas em que se aninham humanos, quais Vénus de Botticellis, e dos polícias a jogar bilhar de cabeça, seja a facilidade com que damos por adquirido o sentido de tudo aquilo.
Porque a verdade é que protestar na rua pela habitação é absolutamente contra-intuitivo. Não é só absurdo, ou despropositado, daquela maneira que diverte sempre os que estão contra os protestos. Claro que é possível gozar com a situação, encontrar os abencerragens que correspondem aos estereótipos que esperamos ver nestas alcabelas, perguntar se será boa ideia mostrar tanto entusiasmo por dormir ao relento quando se luta por um tecto, e coisas deste género; mas há um lado que parece ainda mais incompreensível do que esse.
Basta andar na rua, falar com um leque de anónimos ao acaso, para perceber a repulsa que os protestos e os desacatos provocam nas pessoas. Gente capaz de concordar com as razões do protesto, mas que se apressa a ressalvar que “não concorda” com a maneira de lidar com a situação, com a maquilhagem do Dom Pedro, com a desobediência. Mesmo uma passagem pela basta literatura sobre o assunto que já apareceu nos........
